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Desvendando o WACC, o CMPC, o Custo Médio Ponderado de Capital

Existe um conceito dentro do mundo financeiro que o pessoal costuma complicar muito e que normalmente gera um monte de dúvidas. Estou falando do famoso WACC. 

O #WACC, é uma sigla em inglês para "Weighted Average Cost of Capital", que significa Custo Médio Ponderado de Capital. No Brasil, o WACC é mais conhecido como Custo Médio Ponderado do Capital (#CMPC).

Em termos simples, ele representa o custo médio que uma empresa paga para usar o dinheiro de seus investidores e credores



Em um primeiro momento, eu sei que pode parecer que ele é um termo complexo, mas, na verdade, ele é bem simples. Infelizmente, financeiros tem essa terrível mania de complicar as coisas. 

Mas vamos a um exemplo hipotético para que você possa entender melhor como o WACC funciona.


Suponhamos que uma empresa esteja precisando de dinheiro para financiar as suas operações. Essa empresa pode conseguir dinheiro de duas formas: 


  1. Pegando dinheiro diretamente dos seus acionistas/sócios; e/ou;

  2. Indo a um banco ou alguma instutição e pegando um empréstimo/financiamento. 


O que o WACC faz é medir o quanto essas duas partes cobram para emprestar o seu dinheiro para essa empresa. Ele vai te entregar o percentual de juros mínimos que os credores e acionistas exigem para emprestar o seu dinheiro.

O capital dos acionistas é representado pelo KE (Custo de Capital Próprio) e o dos credores pelo KD (Custo de Capital de Terceiros).


O que a fórmula do WACC faz é calcular essas duas taxas e, após isso, fazer uma ponderação de quanto cada uma delas representa no capital total da empresa, chegando a um valor único que a empresa paga por todo o capital emprestado. 


Na maioria dos casos, os juros do KE vão ser maiores que o KD por alguns motivos: 


  1. Os credores tem prioridade na lista de recebimento (caso a empresa seja liquidada) frente aos acionistas; 

  2. O KD tem um benefício fiscal intrínseco na sua composição; 

  3. Os credores recebem em “qualquer circunstância”. Os acionistas podem ficar anos sem receber um centavo de volta.


Dito isso, agora vou te ensinar como calcular cada um deles.


Custo de Capital Próprio (KE)


 O KE segue a dinâmica de determinar o valor MÍNIMO que os investidores cobram para emprestar seu dinheiro. Ele se baseia na seguinte fórmula:


KE = Rf + β(Rm - Rf)


Onde:


  • Rf: Taxa livre de risco. Taxa de retorno que um investidor espera receber por investir em um título livre de risco, como títulos do governo.

  • β: Beta da ação da empresa. O beta da ação da empresa é uma medida da volatilidade da ação em relação ao mercado. Um beta superior a 1 indica que a ação é mais volátil do que o mercado, enquanto um beta inferior a 1 indica que a ação é menos volátil do que o mercado. Como não estamos falando de ação, vamos considerar sempre o Beta como 1.

  • Rm: Retorno do mercado. O retorno do mercado é a taxa de retorno que um investidor espera receber por investir.


Consideremos então para fins didáticos os seguintes dados:


  • Rf: 8% / β: 1 / Rm: 15%


Substituindo esses valores na fórmula do CAPM, temos:


  • KE = 8% + 1 x(15% - 8%)

  • KE = 15%


Isso significa que o investidor cobraria no mínimo um retorno de 15% para investir na empresa ou projeto analisado.


Custo de Capital de Terceiros (KD)


Ele não tem muito segredo. O que se costuma fazer é pegar todas as taxas cobradas em empréstimos e ponderar pelo valor de cada dívida envolvida. 

Suponhamos duas dúvidas, uma de 10.000, com taxa de 12%, e outra de 5.000, mas com taxa de 10%. O KD é calculado pela seguinte média ponderada: (10% x 5.000 + 12% x 10.000)/(10.000 + 15.000)= 11,33% 


Esse seria o valor médio que os credores cobram para emprestar o dinheiro para a empresa. Do KD, temos que descontar a alíquota de imposto de renda. De forma simples, isso é feito porque o governo permite que a empresa deduza as despesas financeiras da base de cálculo do IR e CSLL.


Sendo assim: KD= 11,33% x (1 - 34%), KD= 7,47% 


Isso significa que a empresa paga, na realidade, 7,47% em juros para pegar o dinheiro emprestado.


O Calculo do WACC


Bem, já temos o quanto os credores e os acionistas cobram pra emprestar o dinheiro dentro dessa empresa, ou seja KE= 15% KD= 7,47%. 


Pra fechar, é só multiplicarmos estes valores pelo % que o patrimônio de cada uma dessas partes representa na estrutura financeira da empresa. Vamos supor que temos: 


Valor de mercado (capital de acionistas): 20.000. Dívidas (capital de terceiros): 40.000. Isso significa que o capital de acionistas representa 33,33% e que o de terceiros 66,67%.

Por fim, para chegarmos ao WACC: 15% x 33,33% + 7,47% x 66,67% = 10%.


Isso significa que o custo médio do capital da empresa, o WACC é de 10,31%.


Conclusão:


O WACC é uma medida importante para avaliar a saúde financeira da empresa e a atratividade de seus investimentos. Por isso ele é muito usado por:


  • Empresas: As empresas utilizam o CMPC/WACC para avaliar a atratividade de novos projetos de investimento. Se o CMPC/WACC de um projeto for maior do que o retorno esperado, o projeto não deve ser realizado.

  • Investidores: Os investidores utilizam o CMPC/WACC para avaliar o custo de capital de uma empresa e, assim, determinar se o retorno esperado de um investimento na empresa é suficiente para compensar o risco.

  • Analistas: Os analistas utilizam o CMPC/WACC para comparar empresas e avaliar a saúde financeira de uma empresa.


Embora o WACC seja uma ferramenta mais utilizada por empresas, com algumas adaptações, ele também pode ser aplicado à nossa vida pessoal para auxiliar na tomada de decisões financeiras mais conscientes ao avaliar investimentos, planejar nossas finanças, comparar opções de financiamento imobiliário e até mesmo para tomar decisões de carreira! Mas isso tudo será papo para um outro momento. 


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